O Pioneiro da Pinguela

    Em 1957 a região da Pinguela era habitada somente por agricultores nativos da região e por alguns outros, vindos de Santa Catarina. Foi quando o engº civil Danilo Senger Ribeiro e a esposa Carmen encantaram-se pela região e adquiriram pequena propriedade à beira da lagoa - a primeira na região para fins de lazer.
    A descoberta ocorreu em um passeio do casal pela região, na época em que, morando em Osório, ele construiu a rodovia Osório-Tramandaí. Tempos do Seu Manoel Hortêncio e da Dona Flor (filhos de escravos).

    Muitas são as histórias que ele conta desta época pioneira do turismo na região. A BR-101, ainda não pavimentada, era palco das corridas das Carreteras (Catarina Andreatta e outros).

    A primeira casa construída no sítio tinha apenas um quarto. Anos depois nova casa foi construída, desta vez bem maior e toda decorada interiormente, em estilo muito bonito. Finalmente construiu casa de alvenaria.
    De início não havia luz elétrica - a luz vinha de velas e lampiões a querosene. Evoluiu-se para lampiões Coleman e Aladim (já do tipo camisa). Mais adiante a luz vinha de pequeno gerador a gasolina até que finalmente chegou a energia elétrica pública. Para que isso acontecesse, o casal percorreu a região na tentativa de convencer a população da região a participar do projeto de eletrificação rural (na época a energia vinha de usina à óleo diesel de Osório).

    A água vinha de poço raso cavado em local determinado por ele mesmo com o uso de uma forquilha feita com galho de árvore que vibrava nas mãos ao passar sobre um veio d'água subterrâneo. Tirava-se a água com balde. Depois veio a bomba manual de haste (pesada uma barbaridade) substituída depois por outra, também manual, mas de roda. Mais adiante veio uma bomba elétrica.  Tempos depois, um aqueduto foi feito lá de cima do morro até a caixa d'água, trazendo água de melhor qualidade, de uma vertente em meio a pés de taboa. Hoje o poço artesiano tem mais de 100m.

    Na pequena praia da propriedade tomava-se banhos gostosos. Na sombra de uma figueira frondosa, bem na beira da lagoa, assava-se churrascos (foto abaixo). O limo ralo que vez por outra aparecia na superfície da água tinha as mesmas propriedades de shampoos que amaciam os cabelos - É o limo Believe it or not. Mandou construir caíque de tábuas e depois um cercado com assoalho (um gaiolão) todo de taquaras, que flutuava. Era a piscina pros filhos, então com menos de 10 anos, tomar banho sem riscos de afogamento. Depois foi construído um flutuador de tonéis e estrado de madeira que era rebocado lagoa a dentro para saltar n'água e para pescar.
    Mais adiante, com este flutuador, mandou construir um trapiche (na foto de Mar/80) e levantou uma taipa concretada, com aterro sobre o qual havia um quiosque, bem na beira d'água.
    A estrada para descer à beira da lagoa foi melhorada e o veleiro Estrela que mandou construir era apoitado em frente à praia (em Mai-Jun de 1967 ele e os filhos fizeram curso de vela nos Veleiros do Sul). O Estrela foi um veleiro da classe Jangadeiro. Seu projeto foi trazido da Alemanha por Leopoldo Geyer (fundador dos VDS e dos Jangadeiros e proprietário da já extinta e famosa Casa Masson).

    Passou-se também a praticar vela na Pinguela com "piranhas" e hobby cats. Depois os filhos fabricaram pranchas de windsurf (Savage) em pequena indústria. Foi uma invasão de pranchas na Pinguela (época da novela Água Viva da Globo, cuja abertura apresentava pranchas de windsurf).
    Finalmente trouxemos pequenos barcos a motor e lanchas (já no tempo do Sebastião, o do posto de Osório).

    Ela mobilizou-se em Porto Alegre até viabilizar a construção da primeira escola da região, que até hoje lá funciona. Além de ter promovido cursos de alfabetização para adultos, fez catequese e distribuiu medicamentos e roupas à população carente da região.

    A fauna da região era muito mais rica. Nos matos viviam veados, tatus, tamanduás, tucanos, gatos do mato e vários outros animais. A lagoa era muito piscosa (bagres, traíras, jundiás, carás, papa-terra e lambaris). Muitos jacarés, muçuns, tartarugas e lontras habitavam a lagoa.
    Um dos vizinhos tinha um alambique movido a bois vendados, que andavam em roda o dia inteiro para extrair o caldo da cana.

    Até hoje, quase meio século após a descoberta da Pinguela e já no rumo dos 81 anos, vai toda a semana à Pinguela, religiosamente, onde adora churrasquear e tomar uma gelada apreciando a vista da lagoa.

Alguns versos de "Tributo ao Meu Melhor Amigo" feitos para comemorar os 80 anos dele:

Nas noites na Pinguela
Falando coisas de outrora
Vara noites em frente a ela
Jogando muita conversa fora

Lá no sítio, numa boa
Churrasco com os jaguara na volta
Só bombeando pra lagoa
É lá o lugar onde ele se solta

O Importante é ser amigo
O resto é paisagem
Como é bom estar na Pinguela contigo
Falando besteira na estiagem

Tem um segredo bem guardado
E eu vou revelar agora
Adora a Carminha e cuida dela
Mas a amante é a Pinguela

E pra terminar, o que mais me atrai
A grande lição que aprendi contigo
Mais importante que ser pai
É ser um bom amigo
 

Todos os Direitos de Reprodução destas Imagens Reservados a Danilo Chagas Ribeiro
 

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