Existem muitos tipos de nós. Cursos de Vela ensinam vários, como a 'volta falida'. O escotismo também ensina muitos nós: nó direito, nó de escota, lais de guia, volta do fiel, etc. A maioria é muito fácil de aprender. E de esquecer. Não treinando periodicamente V. fatalmente esquecerá.
O Lais de Guia é o rei dos
nós. Em náutica, se Você souber fazer o Lais de Guia,
já é uma grande coisa. Ele é ideal para fazer uma
alça na extremidade de um cabo mas com ele V. pode também
fazer emendas.
O Nó Carioca é um
nó mágico. Muito simples, permite tensionar um cabo de forma
eficiente e finalizar a amarra sem que se afrouxe.
Lais de guia é um nó muito útil
- confiável, fácil e rápido de fazer, e fácil
e rápido de afrouxar (para quem o reconhece e sabe desmanchá-lo).
Mesmo depois de ter sofrido tensão, o Lais de
Guia
é fácil de desmanchar.
Ao invés de fazer vários
"nós cegos", formando aquela coisa demorada de fazer e de desmanchar,
faça apenas um Lais de Guia.
Para aprender a fazer o nó,
prepare um cabo grosso com uns dois metros e siga os passos abaixo. Se
o cabo for de nylon, para que não desfie, leve a ponta à
chama de um fogão à gás e com um alicate vá
apertando a extremidade amolecida pelo calor.
Leve em conta, ao treinar nós,
que na prática poderá haver um poste alto cujo topo não
se alcança ou uma tábua de trapiche sem extremidades livres
ou mesmo uma argola por onde o cabo deverá passar. Neste caso, se
você treinou fazer alças simples com o Lais de Guia, na hora
de usar o nó pra valer, vai se atrapalhar. Em outras palavras, treine
o nó junto a algo onde o cabo será amarrado.
A letra P nos desenhos acima, indica onde ficará o Poste ou uma
tábua, envolvida pelo nó. "L" indica o segmento do nó
que determinará o tamanho do laço (alça). Assim, treine
junto a uma cadeira fazendo o nó prender o cabo a ela.
Deixe sempre por perto o cabo que V.
usou para aprender a fazer o Lais de Guia . Dias depois tente novamente.
Verá que é fácil esquecer. Treine por vários
dias até fazer o nó de olhos fechados, porque na 'hora H'
é preciso saber dar o nó sem pensar.
Os passos abaixo foram ensinados pelo Comandante Carvalho
Armando, que ministrava cursos de vela nos Veleiros do Sul nos anos 60.
O outro desenho mostra o lais de
guia pronto.
Nó Carioca
De todos os nós que
aprendi, o que mais me chama a atenção é o "nó
de caminhoneiro" ou, como os motoristas de caminhão chamam, "nó
carioca". É mais do que um nó. Talvez uma amarra. Os motoristas
usam essa amarra para prender o cabo da lona sobre a carroceria da carreta.
Uma das vantagens é poder esticar-se o cabo e prendê-lo sem
perder tensão ao finalizar a amarra. A principal vantagem é
a tensão que se consegue em um cabo, usando-se este super-nó.
Se Você precisa usar cordas e cabos e não conhece este nó,
procure aprende-lo.
Veja um exemplo da aplicação do nó: você começa
a passar o cabo que vai prender o barco na carreta. Você passa o
cabo entre dois olhais (argolas, etc) e chegará a um ponto em que
é preciso finalizar a amarração sem perder a tensão
que V. deu ao cabo. Você dispõe de uma argola, de uma barra
ou do próprio chassis da carreta onde poderá prender a ponta
ainda livre do cabo. Mas, sem conhecer o nó carioca, sua amarração
perderá tensão - o cabo vai afrouxar-se na hora de finalizar
o nó.
Este nó não
pode ser mais singelo do que é. O desenho acima mostrando as fases
do nó poderão faze-lo pensar que é um nó complicado.
Não é. Em "A", imagine a ponta de cima como sendo a parte
maior do cabo que já está presa na carga a amarrar. Segure
a volta mostrada em A com a mão esquerda. B, C e D mostram como
o nó é simples. E mostra a finalização do nó.
O Nó Carioca só pode
ser utilizado com cabos de diâmetro considerável. Digamos
com o diâmetro de uns 15mm ou mais. Com cabos finos não funciona
porque a volta formada em "C" se desfaz facilmente. Mas nem tudo está
perdido. Se o cabo for muito fino, use a variante que apresentamos abaixo.
A desvantagem dessa variante do
Nó Carioca é a dificuldade em desfazer o nó de correr
caso muita tensão for aplicada ao cabo.
Nesta versão, cria-se
um olhal no cabo. Esse olhal funciona como uma roldana móvel (onde
a força aplicada multiplica-se por dois - lembram-se
da Física do Segundo Grau? :-). O resultado disto é que a
força aplicada (em 2, no desenho abaixo) nos dá (em 1) o
dobro da tensão que conseguiríamos sem esse nó.
É um nó "mágico". A multiplicação da
força aplicada ocorre nas duas versões do Nó de Caminhoneiro.
Na versão abaixo é mais fácil de se entender o "princípio
de funcionamento" do nó.

O truque destes nós é a multiplicação da força aplicada - funciona como a "talha" usada em oficinas para levantar motores - cada volta multiplica a força aplicada por dois (2,4,8,16...). Mas tem um detalhe: na talha existem roldanas para eliminar o atrito. Dependendo do tipo de cabo utilizado, as múltiplas voltas no nó carioca geram tanto atrito contra o olhal que com mais de duas pode ser impraticável tracionar.
Outra grande aplicação do Nó Carioca é para puxar algo muito pesado para a força disponível. Se houver um ponto de apoio, use este nó para multiplicar a força. Imagine retirar d'água carreta & barco em uma rampa quando o carro não consegue puxar (fica patinando). Um carioca dividirá o "peso" da carga a tracionar por dois.
Se V. encontrar dificuldade ao aprender a fazer nós, lembre-se de que só há uma maneira de aprender: treinando.
Nó de Arnez
(ou Volta de Arnez)
E aí vai mais um nó: o Nó de Arnez, para fazer uma
alça em um cabo que precisa ser puxado.
Quando o barco encalha ou está
em um baixio e precisa ser rebocado por mais de uma pessoa, quem pega o
cabo pela ponta, enrola-o na mão e obtém boa aderência,
mas os outros resbalam a mão no cabo molhado. Fazendo-se a alça,
puxa-se melhor. Existem outros nós que fazem alça mas é
difícil desmanchá-los depois de sofrerem tensão.
Saiba fazer alguns nós importantes,
de olhos fechados. Em uma emergência, é muito importante faze-los
de maneira correta e rapidamente.
Muitos outros nós são
úteis quando se está a bordo. O livro "Escotismo para Rapazes",
de Baden Powell, o lorde inglês fundador do escotismo, mostra como
fazer vários nós e amarras.