O avanço criminoso dos catadores
de palmito sobre os morros é degradante.
Como eles fazem?
Durante o dia percorrem os morros munidos de barbante ou fio de nylon. Amarram a ponta do fio a um palmiteiro e vão entrando mato a dentro. A cada palmiteiro que encontram, dão uma volta com a linha e seguem adiante. No final da jornada, deixam a linha no mato, demarcando cada palmiteiro que encontraram. Esta é uma operação silenciosa que não chama a atenção.
À noite, voltam ao morro, desta vez com facões. Seguindo a linha, vão derrubando cada palmiteiro demarcado.
Segundo consta, pela lei, o ladrão só pode ser preso, se for caracterizado o flagrante. "O que eles querem?...", indaga L.R., um homem simples da região, "Que a gente amarre o cara no palmiteiro e chame a polícia?".
L.R. conta que em Pinheira, na região do Maquiné, um proprietário "calçou" uma espingarda no peito de um desses ladrões e o fez descer o morro com o feixe de palmito nas costas até encontrarem uma autoridade policial. O ladrão foi preso, mas pagou fiança irrelevante e saiu antes do denunciante ser liberado dos trâmites oficiais.
Estamos falando de Mata Atlântica, Reserva da Biosfera. Nesta mesma Reserva, mais especificamente no Morro da Borússia, em Osório, está instalada uma indústria que processa o palmito e o embala em vidros para serem comercializados.
Em contraponto
a isso, temos uma bela história para contar. O Engº Florestal
Antonio Augusto Ungaretti, residente em Maquiné, obtém sementes
de palmiteiro através dos moradores da região.
De posse
de certa quantidade, João trata as sementes com um processo pré-germinativo
e as repassa a um grupo de entusiastas do vôo à vela.
Saltando
com asas delta de rampas localizadas nos morros da região, os pilotos
sobrevoam áreas pré-determinadas e aspergem as sementes sobre
os morros.
Tudo sem
custo, pelo amor à natureza.